Ah, o café! Hummm, o café!

Sendo feliz tomando uma caneca de café!

Em dias de tantas emoções, acontecimentos, mudanças e adaptações, hoje eu só consigo pensar que em três dias eu vou poder tomar uma xícara de café. Ou mais xícaras.Em plena quinta-feira Santa, um alerta do google fotos me lembrou que há um ano eu tomei um delicioso copo de café no Starbucks, em Paris. Tudo junto: café, Starbucks, Paris, viagem, liberdade, amigos juntos, marido, descobertas, comidinhas, lugares, rua, caminhadas… Um pouco de quase tudo que não podemos ter agora.

E o café é a cereja do meu bolo emocional. Antes de saber que uma quarentena me ofereceria a oportunidade da quaresma com mais privações do que jamais experimentei, escolhi me afastar do vinho (ok), do doce (ok) e do café. Pra muitos, café é cheiro, é sabor, são lembranças. Pra mim, café é tudo isso. E mais. Café é origem, é um toque lúdico e poderoso de motivação diária.

Meus pais se conheceram numa fábrica de café. Em Fortaleza, era o “Café Guimarães – um senhor café”. Casaram, tiveram as três filhas e aposentaram nessa mesma indústria. Entre os benefícios de ser empregado do Café Guimarães, estava o de ganhar os pacotes de café de graça! Na minha casa, café, além de tudo, tinha a ver com fartura.

Todos os dias o café era coado pelo menos duas vezes na minha casa. De manhã, invariavelmente pelo papai, dono do café mais cheiroso do planeta. Qualquer um poderia passar o café. Nenhum conseguia extrair o cheiro imponente que meu gostoso tirava daquela bebidinha encantadora. Ao redor das garrafas de café do final de semana era onde minha família se sentava e tascava xícaras duralex marrons e grandes cortes de pão carioquinha ou sovado (ou um pedaço de cada, porque não?) com margarina e às vezes queijo e presunto!

Ai, que delícia! Fartura, conversas, gritaria! – Mais uma garrafa, Raimundo! E lá ia meu papai passar mais um café! Levanta que agora é minha vez, então vamos jogar baralho, bora ali na calçada e… – Mafraldinha, agora é sua vez! Desce mais uma garrafa, dessa vez coada pela minha maminha!

Na verdade, acho que o que todos queriam era continuar sentindo o cheiro do café. Queriam que as conversas não tivessem fim, que a mesa grande no quintal da casa estivesse cheia pra sempre! Família, café, fofoca boa, vida!

E assim me tornei uma cafezeira. Boa de bico e aprendiz de braço! Vira e mexe, era a minha vez de passar mais um cafezinho. Mas o cheiro nunca era igual. Eu repetia disciplinada a receita dos meus genitores. Mas só das mãos deles saía o melhor café.

Por isso, costumo dizer que café tem cheiro de bom dia. Uma casa que coa café pela manhã, será sempre uma casa mais feliz!!!

Saí de casa e sempre que meus pais me visitam, uma das coisas que mais me alegram é o perfume da minha casa pela manhã, na companhia deles!

Vou ao trabalho e os momentos mais felizes são comemorados com o expresso fresquinho que sai da máquina barulhenta que mói grãos na hora.

Encontro a amiga e o refúgio dos assuntos que não podem esperar é o café charmoso da quadra.

Resolvo ficar em minha própria companhia, e nada me parece mais adequado do que tomar um belo café acompanhado de qualquer delícia que o complemente.

Em tempos de confinamento, home office e quaresma (de café, sim, fiz isso comigo mesma), hoje o google fotos me lembrou daquele café. Ah, aquele café! Hummm, aquele café!…

P.s.: ao final desse texto, minha filha me ligou com a grande descoberta: o mesmo google que me lembrou dos tempos em que eu era livre pra tomar café; revelou a ela que a quaresma termina na quinta-feira antes do domingo de páscoa – e não no domingo de páscoa, como eu pensava! Ah, Google… o que seria de mim sem você??

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