QUARENTEI!!!

E posso dizer que vim me preparando pra esse momento.
4×10. 22+12+6. Tantas histórias.
Consigo ver minha vida numa linha do tempo de amor e gratidão.
Nasci em 17 de outubro de 1979, às 6h, em Fortaleza, Ceará. Naquele tempo os pais não sabiam com certeza se esperavam um menino ou uma menina, se viria “perfeito” ou não.
Na barriga da minha mãe, já fui, a priori, Érica. Érica com C. Por causa do Érico Veríssimo, cujo livro “Olhai os Lírios do Campo” minha mãe havia lido e se encantado. (Acabei de anotar que nunca li o livro que me deu meu nome. Preciso resolver isso antes dos 41). Minha mãe me escreveu cartas enquanto grávida. Ainda bem que vim menina mesmo.
Mas não exatamente “perfeita”. Nasci com pé torto congênito. Uma má formação. Fiz cirurgia aos quatro meses, usei gesso até 1 ano e 1 mês (idade com que andei). Mas o mais legal disso tudo é que fiz fisioterapia durante a infância inteira. E isso fez de mim andarilha das linhas de ônibus, amiga dos motoristas, trocadores e passageiros. Conversadeira, desenrolada, comunicativa. Posso dizer que sigo eternamente a garota que usava botas, falava demais e achava graça de tudo.
Minha infância foi maravilhosa. Família linda, unida, presente. Meus pais trabalhavam muito. Muito mesmo. Mas eram os melhores. Papai amoroso, forte e protetor. Mamãe guerreira, persistente, amorosa e firme. Cheios de caráter. Orgulhosos de onde vinham e pra onde iam. Eu gritava e papai matava as baratas. Eu aprontava e mamãe puxava as orelhas. Infância perfeita.
Poderia falar dos passeios na garupa da bicicleta do papai indo ao mercantil. Ou das manhãs de sábado no centro com a mamãe e a caixa de chocolate no final do dia. Dos finais de semana colando figurinhas, das brincadeiras, panelas de barro, pés de mamão, banho de chuveiro no quintal. Duas irmãs pra me ensinar a dividir e cuidar. Primas que me ensinaram sobre amizade. Mas resumo dizendo que não poderia ser melhor.
Grata Deus. Obrigada mamãe e papai.
Posso dizer que até uns 13 anos essa vida me bastou. E aí veio a escola nova. Escola grande. E com ela o novo exercício da comunicação, auto afirmação, primeiro namoro, complexos, novos amigos, popularidade. Fins de semana com minhas primas e longe das minhas irmãs. Contato com duras realidades. Observei atenta como a gravidez precoce, a morte precoce e o suicídio estavam ali perto. Eu vi. Fase de festas, shows, agendas coloridas e cheias de clips, desilusões amorosas. Grêmio estudantil, olimpíadas escolares. Ser desejável do alto dos 15 e apesar da sempre calça jeans. O exercício de se descobrir em plena adolescência. Que fase!! Passei ilesa. Graças a Deus!
A próxima fase começou aos 17 anos. Namoro sério. Vestibular e depois faculdade. Que eu era intensa, eu já sabia. Sempre fui. Das veias saltadas, das certezas irrefutáveis (isso mudou bastante), dos amores platônicos (desde a pré infância, isso eu não contei, né?) e não platônicos, das cores, das músicas. Tudo. Mas, foi no amor que a minha intensidade mais de revelou. AMOR. Pela vida.
O namoro de três anos foi ótimo pra aquietar o facho, como diz na minha terra. Me descobri cuidadora, parceira, maternal (disso eu sempre soube), bem mulherzinha e feliz de ser assim, rs. Comecei a faculdade (Comunicação Social, Jornalismo, UFC) e coloquei um ponto final nessa história de movimento estudantil. Na faculdade de comunicação, me vi careta demais. Não desfrutei das tardes na sinuca do CA, nem dos happy hours sem hora no bar da esquina. Não fui marginalizada porque sempre fui gente boa, boa gente e já não era dada a julgamentos. Cada um na sua. E eu na minha.
Troquei tudo isso por namoro sério, trabalho desde os 18, estágios (uns bizarros e outros produtivos), responsabilidade, continhas pra pagar e mais trabalho. Pero, sem perder a ternura. Aproveitei demais!!! Feliz com as escolhas. Está certo que dei uma pausa no processo criativo. Mas Deus sabe o que faz. Logo, logo, aos 22, a vida adulta viria com tudo!
A primeira viagem de avião foi também a primeira sozinha, aos 22. Igual Assis Chateaubriand, haha (li sobre isso na biografia dele que levei comigo no avião). Ganhei a passagem de presente (lógico que não podia comprar) e logo na reserva, pelo telefone, eu mandei essa: “sim, por favor, o voo com mais conexões e mais escalas que você tiver”. E assim foi. Fortaleza-Recife-Salvador-Rio-São Paulo. TOP! Oito horas depois eu chegava a capital paulista. Foi um fechamento interessante dessa fase que começou aos 17. Três namorados, estágios e emprego, frila de 500 reais – o suficiente pra curtir 10 dias de Sampa. O ápice da liberdade. Sou adulta.
No mês seguinte, do encontro numa boate, inauguro o primeiro dia dos próximos 12 anos da minha vida. Dos 22 aos 25, muito trabalho, amor adulto, morar junto, aprender a dirigir, aprender sobre diferenças, dificuldades, dores, superação, companheirismo. Muito mais trabalho. Casamento. Libertação com minha primeira prótese de panturrilha. E shorts, muitos shorts. Viagens, mundo, conhecimento. Visão além do alcance. A maternidade aos 26. Crise e superação. A mudança pra Brasília aos 27. Vivi cinquenta anos em 5.
Muitos e verdadeiros amigos. Lembro agora de vários. Pra falar a verdade, os grandes amigos da vida.
E então comecei a entender aquilo pelo que eu vivia. Por amor e por gratidão.
A maternidade e o casamento viraram minhas grandes missões. Os caminhos pra manifestar todo o meu amor. E pra que Deus se manifestasse em mim. Nos próximos cinco anos, aprendi com a vida sobre amor incondicional e incansável. E sobre perdão. Incondicional e incansável. E sobre gratidão.
Aos 32 anos fiquei viúva. E aí testemunhei toda a força que o amor e a fé podem manifestar na nossa vida. Com a minha grande companheira, minha filha, resolvi voltar pra Fortaleza. Achei que seria difícil demais sozinha com ela em Brasília. E fomos. Família e amigos foram minhas paredes. Mas Deus foi meu pilar.
Um ano depois, fortalecida, estava de volta a Brasília. Alguma coisa me chamou de volta. Minha filha topou. E viemos. Só nós duas. Arrumamos nova casinha, estruturamos nossas vidas. E viemos. Por nem um dia eu ou ela questionamos se tínhamos feito mesmo a coisa certa. Estávamos de volta a nossa casa. Era aqui o nosso lugar. E, embora eu achasse que já sabia tudo o que estava por vir, a vida reservava suas surpresas.
12 anos e dois meses depois daquela noite na boate, o amor se reapresenta na minha vida. Sem cerimônia. Chega, senta, beija, se acomoda e se casa comigo. O sonho de uma família grande se realiza por outros caminhos. Ele também viveu suas historias, e tem quatro filhos. Aos 35 anos, encaro a nova fase. Mais uma vez, resgatada pelo AMOR.
E aí se seguiram os últimos cinco anos. Muitos filhos, tantos desafios. Minha filha tem o meu tamanho e já sabe que eu não sou perfeita, e me ama mesmo assim. Meu novo amor é diferente, renovador, incomparável. Vida nova. Casinha nova. Mais um cachorro. Outros tantos e maravilhosos amigos que chegaram pra ficar. Muito trabalho. E uma maturidade deliciosa que ensina a aproveitar e viver e agradecer e respirar profundamente cada dia, reconhecendo que é único!
Aos 40, me sinto como se tivesse vivido a totalidade dos 40. Não passou rápido. Não voou. Aconteceu. E segue acontecendo.
Com humildade, aceito que não mando. Eu obedeço. E sigo.
E AMO. E AGRADEÇO.

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