Vermelho combate

Em maio de 2020, me interesso por uma matéria compartilhada por um grupo de whatsapp. O título é “Por que Churchill transformou o batom em produto de primeira necessidade em tempos de guerra“. Sensacional. Fala sobre auto-estima, de como ela tem efeito individual e também coletivo. De como contagia e é fundamental para o enfrentamento. Assim como os planos e os sonhos.

Fez-me lembrar de um artigo que eu fiz. Onde estava mesmo aquele texto? Num blog começado e esquecido no tempo. E também no meu arquivo digital. O artigo é de maio de 2011 – exatos nove anos atrás! O recuperei e confirmei, mais uma vez, a ideia que tenho de que algumas verdades são atemporais. Talvez as verdades sempre sejam.

O link foi o vermelho. Do batom, do esmalte. Do sangue que corre nas veias. O vermelho das paixões e do tango.

Mas a ideia é sobre amor próprio, amor ao próximo e superação.

Vou reviver meu post, com a leveza de 2011 e a temporalidade de 2020.

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O Melhor da Vida

terça-feira, 24 de maio de 2011

O poder do esmalte vermelho

Começou uma ou duas semanas atrás. Um olhar diferente sobre mim. Eu me vendo de um jeito diferente. Mais crítico, mais exigente, mais duro. A minha casa não está como eu gostaria. Isso falando de fora pra dentro. Ajusto a lente, aumento o foco, triplico o zoom. A minha casa não está como eu quero. Minha casa. O lugar onde EU moro. Meu invólucro, meu suporte nesse mundo. Meu corpo.
Me olho no espelho e acho que meu cabelo está sem jeito – será que acertei com essas luzes? Será que vou ter que sucumbir a mais uma selagem, agora que descobri que aquilo realmente tem formol? Minha pele está meio sem viço – resultado de algumas noites mal dormidas, por causa da torcicolo persistente que não me dá descanso. Minha barriga, ah esses quilinhos a mais… Acho que nunca tive tanta celulite. Tenho que tomar jeito, preciso voltar a malhar, pedalar aos domingos, controlar meu apetite, que anda de mãos dadas com a ansiedade de… De quê? Ansiedade de quê? Ansiosa pelo quê?
Sinto necessidade de beleza, de leveza, de descontração, de liberdade, de frescor… Vou tomar providências. É claro, só depende de mim! Algumas coisas só dependem de mim. Dividir meu tempo, dedicar parte dele a MIM. Ouvir mais músicas, redescobrir ou descobrir do que mais gosto. Comer mais devagar, investir um dinheirinho numas roupas novas. Ler mais.
E pintar as unhas. Ah, as unhas… Que poder maravilhoso emana de mãos bonitas, poderosas, delicadas e firmes. Hum, meu anel dourado de madrepérola… O primeiro passo é fundamental. Joyce me olha e pergunta: que cor? Vermelho!

Lentes

As lentes que colocamos nos nossos olhos com relação ao passado são bem mais benevolentes do que as do presente.

Ah, se a gente fosse gente boa com o hoje, como somos com o ontem…

As pessoas morrem e viram santas. A gente envelhece e vira feio…

Lá atrás, tomamos decisões pensadas pro melhor, e hoje concluímos que estava melhor como era…

É fácil falar do passado quando ele já passou e não podemos fazer nada pra mudar.

Relaxemos.

As decisões foram tomadas acreditando num caminho melhor. Vamos ser legais com a gente hoje.

Dias inesquecíveis

Todos os dias são bons. Às vezes, nós é que não somos bons o suficiente pra eles. Mas os dias são bons.

E quando gostaríamos de lembrar de alguns dias pra sempre?

Eu gostaria. De lembrar de alguns dias pra sempre. Hoje é um desses.

Hoje eu acordei às 7h e decidi não malhar pela manhã. Acordar tarde me tira um pouco da disposição matinal. Mas 7h não é tarde. Mas saiu da minha zona de organização… Paciência.

Tomei café solúvel, comi uma tapioca, olhei admirada a sala recém montada. Trabalhei, pensei, divaguei. E voltei a trabalhar. Os rapazes estavam finalizando detalhes da sala, e eu conversei com minha funcionária. Acordei a filha, descasquei ovo, fugi de notícias. Olhei o olho entorpecido da cachorrinha, marquei o veterinário.

Almocei, trabalhei, telefonei, viajei… E voltei. Fui a veterinária, comprei remédios, voltei a casa. Ficou quase pronto! Admirei.

Pedi uma pizza, fiz o risoto de couve, abrimos o vinho, achamos a solução. Jantamos a primeira refeição em nossa mesa. Fizemos a oração. Gratidão sincera por tudo.

Risoto, pizza, vinho, louça lavada, cachorros dengosos, filha feliz. Família. Amor.

Colinho antes de dormir, contas pra pagar, e estamos vendo um “programa inédito” ao final de mais um dia bem vivido, que não quero esquecer. Por ser especial. Assim como todos os outros.

Obrigada, Deus!

Um por dia

O desafio é escrever alguma coisa todos os dias. Pelo menos uma. Fácil. Ok, vamos melhorar. E que não seja ruim. Bom, mas isso é relativo. E que seja construtivo. Melhorou. Pelo menos uma coisa por dia, que não seja ruim, que seja construtivo.

Partiu desafio! Será que só vou conseguir viver assim de ontem em diante?

De uns anos pra cá, não sei quantos (acho que não desde sempre), os desafios, impostos a mim por mim mesma, me motivam. Alguns até hoje não consegui alcançar por um tempo duradouro. Como o de querer permanentemente ter algo entre 16 e 20% de gordura corporal, pra que depois de uma viagem eu fique entre 18 e 22%… Parece bom. Mas não afiro sempre, e vamos ficando por isso mesmo. A busca já é massa. Estou sempre me vigiando e me permitindo, e acho que o equilíbrio na maior parte do tempo é bom. Muitos não veem sentido. Eu curto.

Aí perto de fazer 40 anos entrei na vibe de três meses sem açucares adicionados. Foi bom! Dias terríveis, dias de boa, e cheguei lá! Mas isso de ter coisas gostosas a mão, poder comer o que quiser, comer sem precisar, o paradoxo do prazer gastronômico versus “comer para viver e não viver para comer” me geram, talvez, uma coisa de culpa… A fartura “desperdiciosa” é constrangedora, quando penso no mundo e nas fomes que o assolam.

Aí, nessa quaresma, me propus a privação de açúcar, vinho e café. Sabores que me remetem a mundo, aconchego e intimismo, respectivamente. Acabou de acabar. A quaresma, porque a quarentena segue. E, se estamos bem alimentados, bem amados, bem aventurados, empregados, remunerados e saudáveis, podemos e devemos produzir. Entenda-se por produzir aquilo que é produtivo para cada um. Percepção individual.

Eis-me aqui. Produzindo. Pelo menos um texto por dia. Não idiota e construtivo. Sob a minha perspectiva, claro. Afinal, o escrever é, de modo geral, uma tarefa introspectiva. Mergulho dentro de si. De mim, neste caso. Agora, motivada pelas regras desse novo jogo. Ao acordar? Antes de meditar? Então também me proponho a voltar meditar diariamente! Opa! Mais um desafio. Construtivo. Ou em horário livre, porque o insight só o é, de fato, se livre. Em tempos de home office, seu tempo, seu guia.
Estou gostando disso. E não vou me preocupar com o dia em que acabar.

Porque, hoje, é um por dia. Inclusive, um dia por dia. Amém!

Ah, o café! Hummm, o café!

Sendo feliz tomando uma caneca de café!

Em dias de tantas emoções, acontecimentos, mudanças e adaptações, hoje eu só consigo pensar que em três dias eu vou poder tomar uma xícara de café. Ou mais xícaras.Em plena quinta-feira Santa, um alerta do google fotos me lembrou que há um ano eu tomei um delicioso copo de café no Starbucks, em Paris. Tudo junto: café, Starbucks, Paris, viagem, liberdade, amigos juntos, marido, descobertas, comidinhas, lugares, rua, caminhadas… Um pouco de quase tudo que não podemos ter agora.

E o café é a cereja do meu bolo emocional. Antes de saber que uma quarentena me ofereceria a oportunidade da quaresma com mais privações do que jamais experimentei, escolhi me afastar do vinho (ok), do doce (ok) e do café. Pra muitos, café é cheiro, é sabor, são lembranças. Pra mim, café é tudo isso. E mais. Café é origem, é um toque lúdico e poderoso de motivação diária.

Meus pais se conheceram numa fábrica de café. Em Fortaleza, era o “Café Guimarães – um senhor café”. Casaram, tiveram as três filhas e aposentaram nessa mesma indústria. Entre os benefícios de ser empregado do Café Guimarães, estava o de ganhar os pacotes de café de graça! Na minha casa, café, além de tudo, tinha a ver com fartura.

Todos os dias o café era coado pelo menos duas vezes na minha casa. De manhã, invariavelmente pelo papai, dono do café mais cheiroso do planeta. Qualquer um poderia passar o café. Nenhum conseguia extrair o cheiro imponente que meu gostoso tirava daquela bebidinha encantadora. Ao redor das garrafas de café do final de semana era onde minha família se sentava e tascava xícaras duralex marrons e grandes cortes de pão carioquinha ou sovado (ou um pedaço de cada, porque não?) com margarina e às vezes queijo e presunto!

Ai, que delícia! Fartura, conversas, gritaria! – Mais uma garrafa, Raimundo! E lá ia meu papai passar mais um café! Levanta que agora é minha vez, então vamos jogar baralho, bora ali na calçada e… – Mafraldinha, agora é sua vez! Desce mais uma garrafa, dessa vez coada pela minha maminha!

Na verdade, acho que o que todos queriam era continuar sentindo o cheiro do café. Queriam que as conversas não tivessem fim, que a mesa grande no quintal da casa estivesse cheia pra sempre! Família, café, fofoca boa, vida!

E assim me tornei uma cafezeira. Boa de bico e aprendiz de braço! Vira e mexe, era a minha vez de passar mais um cafezinho. Mas o cheiro nunca era igual. Eu repetia disciplinada a receita dos meus genitores. Mas só das mãos deles saía o melhor café.

Por isso, costumo dizer que café tem cheiro de bom dia. Uma casa que coa café pela manhã, será sempre uma casa mais feliz!!!

Saí de casa e sempre que meus pais me visitam, uma das coisas que mais me alegram é o perfume da minha casa pela manhã, na companhia deles!

Vou ao trabalho e os momentos mais felizes são comemorados com o expresso fresquinho que sai da máquina barulhenta que mói grãos na hora.

Encontro a amiga e o refúgio dos assuntos que não podem esperar é o café charmoso da quadra.

Resolvo ficar em minha própria companhia, e nada me parece mais adequado do que tomar um belo café acompanhado de qualquer delícia que o complemente.

Em tempos de confinamento, home office e quaresma (de café, sim, fiz isso comigo mesma), hoje o google fotos me lembrou daquele café. Ah, aquele café! Hummm, aquele café!…

P.s.: ao final desse texto, minha filha me ligou com a grande descoberta: o mesmo google que me lembrou dos tempos em que eu era livre pra tomar café; revelou a ela que a quaresma termina na quinta-feira antes do domingo de páscoa – e não no domingo de páscoa, como eu pensava! Ah, Google… o que seria de mim sem você??

🎵 Escolho estar cercada só de quem interessa!

Citando Lenine pra inspirar, rsrs

Quem escolhemos pra nos inspirar? Quem ou o que escolhemos ver, conhecer, ouvir, acompanhar em nosso dia a dia? Essas pessoas/coisas te motivam e impulsionam a ser melhor, ou te mostram uma “realidade” difícil de praticar, ou que você nem sabe se gosta, se concorda… As escolhas que fazemos são nossas. Elas podem até estar equivocadas, ou só inapropriadas, mas seguir com elas após esse veredicto é mais uma vez uma decisão. E é nossa. Somos auto-responsáveis?

Eu não programo, não provoco. Não fico ansiosa por esse momento. Mas ele vem. Alguns dias antes do começo do novo ano, há uma consciência latente que se manifesta e determina: é necessário preparar o terreno pra um novo ciclo. E é propício interromper a velocidade de cruzeiro, desativar o piloto automático. Tomar nas mãos esse mapa das próximas rotas. E customizar-se. Tornar-se, de novo e sempre, a cara de si mesma.

Primeiro acontece, depois percebo.
E hoje, ao acordar, uma fisgadinha que eventualmente me beliscava, se mostrou preponderante. Me aproprio do meu celular e começo a encarar de frente: quem eu sigo e porque.

Um dia a gente está vendo alguma coisa, está numa vibe, tem seu desejo despertado e aí, pá! “Seguir”. A partir dali, todos os dias aquele influenciador (pessoa, empresa, ideia) povoa nossas redes sociais. E de vez em quando é um saco. Mas também é ‘cruzeiro’ passar a vista por ali todos os dias. Passa também o tempo. Aí você se transforma. Tudo se transforma, o tempo todo. E de repente o que era desejável, motivador, ideal, inalcansável… Às vezes vira lixo. Não por ser lixo. Mas por se tornar, pra mim, ou pra você. Não nos acrescenta mais, não interessa, cansa, que tédio! Que vazio! Mas fica ali. E a gente olha. Porque acostumou a olhar. E se compara, e fica entediado, ou frustrado. As vezes pula o stories. Mas está ali.

Hoje comecei minha faxina de novo ano. E foi limpando o que está ao meu redor e que não tem mais a ver comigo. “Grata, um dia teve importância. Mas, hoje, você me traz angústia, ansiedade, vazio, sensação de farsa. No, thanks. Prefiro o que é a minha cara. Nem que seja a cara do que eu quero pra mim. E meu primeiro desejo é que verdades definam meus relacionamentos. Inclusive os virtuais”.

Então, fiquei com belezas, fitness, saúde, viagem, moda, decoração, humor, astral e levezas. Mas não só isso. E sim, inclusive isso.

Para 2020, relações mais verdadeiras. Com os exemplos que escolho e dou, com os amigos que quero por perto e longe daqueles de que prefiro distância (mas não quero mal), com a família. E com o Amor. E comigo.

QUARENTEI!!!

E posso dizer que vim me preparando pra esse momento.
4×10. 22+12+6. Tantas histórias.
Consigo ver minha vida numa linha do tempo de amor e gratidão.
Nasci em 17 de outubro de 1979, às 6h, em Fortaleza, Ceará. Naquele tempo os pais não sabiam com certeza se esperavam um menino ou uma menina, se viria “perfeito” ou não.
Na barriga da minha mãe, já fui, a priori, Érica. Érica com C. Por causa do Érico Veríssimo, cujo livro “Olhai os Lírios do Campo” minha mãe havia lido e se encantado. (Acabei de anotar que nunca li o livro que me deu meu nome. Preciso resolver isso antes dos 41). Minha mãe me escreveu cartas enquanto grávida. Ainda bem que vim menina mesmo.
Mas não exatamente “perfeita”. Nasci com pé torto congênito. Uma má formação. Fiz cirurgia aos quatro meses, usei gesso até 1 ano e 1 mês (idade com que andei). Mas o mais legal disso tudo é que fiz fisioterapia durante a infância inteira. E isso fez de mim andarilha das linhas de ônibus, amiga dos motoristas, trocadores e passageiros. Conversadeira, desenrolada, comunicativa. Posso dizer que sigo eternamente a garota que usava botas, falava demais e achava graça de tudo.
Minha infância foi maravilhosa. Família linda, unida, presente. Meus pais trabalhavam muito. Muito mesmo. Mas eram os melhores. Papai amoroso, forte e protetor. Mamãe guerreira, persistente, amorosa e firme. Cheios de caráter. Orgulhosos de onde vinham e pra onde iam. Eu gritava e papai matava as baratas. Eu aprontava e mamãe puxava as orelhas. Infância perfeita.
Poderia falar dos passeios na garupa da bicicleta do papai indo ao mercantil. Ou das manhãs de sábado no centro com a mamãe e a caixa de chocolate no final do dia. Dos finais de semana colando figurinhas, das brincadeiras, panelas de barro, pés de mamão, banho de chuveiro no quintal. Duas irmãs pra me ensinar a dividir e cuidar. Primas que me ensinaram sobre amizade. Mas resumo dizendo que não poderia ser melhor.
Grata Deus. Obrigada mamãe e papai.
Posso dizer que até uns 13 anos essa vida me bastou. E aí veio a escola nova. Escola grande. E com ela o novo exercício da comunicação, auto afirmação, primeiro namoro, complexos, novos amigos, popularidade. Fins de semana com minhas primas e longe das minhas irmãs. Contato com duras realidades. Observei atenta como a gravidez precoce, a morte precoce e o suicídio estavam ali perto. Eu vi. Fase de festas, shows, agendas coloridas e cheias de clips, desilusões amorosas. Grêmio estudantil, olimpíadas escolares. Ser desejável do alto dos 15 e apesar da sempre calça jeans. O exercício de se descobrir em plena adolescência. Que fase!! Passei ilesa. Graças a Deus!
A próxima fase começou aos 17 anos. Namoro sério. Vestibular e depois faculdade. Que eu era intensa, eu já sabia. Sempre fui. Das veias saltadas, das certezas irrefutáveis (isso mudou bastante), dos amores platônicos (desde a pré infância, isso eu não contei, né?) e não platônicos, das cores, das músicas. Tudo. Mas, foi no amor que a minha intensidade mais de revelou. AMOR. Pela vida.
O namoro de três anos foi ótimo pra aquietar o facho, como diz na minha terra. Me descobri cuidadora, parceira, maternal (disso eu sempre soube), bem mulherzinha e feliz de ser assim, rs. Comecei a faculdade (Comunicação Social, Jornalismo, UFC) e coloquei um ponto final nessa história de movimento estudantil. Na faculdade de comunicação, me vi careta demais. Não desfrutei das tardes na sinuca do CA, nem dos happy hours sem hora no bar da esquina. Não fui marginalizada porque sempre fui gente boa, boa gente e já não era dada a julgamentos. Cada um na sua. E eu na minha.
Troquei tudo isso por namoro sério, trabalho desde os 18, estágios (uns bizarros e outros produtivos), responsabilidade, continhas pra pagar e mais trabalho. Pero, sem perder a ternura. Aproveitei demais!!! Feliz com as escolhas. Está certo que dei uma pausa no processo criativo. Mas Deus sabe o que faz. Logo, logo, aos 22, a vida adulta viria com tudo!
A primeira viagem de avião foi também a primeira sozinha, aos 22. Igual Assis Chateaubriand, haha (li sobre isso na biografia dele que levei comigo no avião). Ganhei a passagem de presente (lógico que não podia comprar) e logo na reserva, pelo telefone, eu mandei essa: “sim, por favor, o voo com mais conexões e mais escalas que você tiver”. E assim foi. Fortaleza-Recife-Salvador-Rio-São Paulo. TOP! Oito horas depois eu chegava a capital paulista. Foi um fechamento interessante dessa fase que começou aos 17. Três namorados, estágios e emprego, frila de 500 reais – o suficiente pra curtir 10 dias de Sampa. O ápice da liberdade. Sou adulta.
No mês seguinte, do encontro numa boate, inauguro o primeiro dia dos próximos 12 anos da minha vida. Dos 22 aos 25, muito trabalho, amor adulto, morar junto, aprender a dirigir, aprender sobre diferenças, dificuldades, dores, superação, companheirismo. Muito mais trabalho. Casamento. Libertação com minha primeira prótese de panturrilha. E shorts, muitos shorts. Viagens, mundo, conhecimento. Visão além do alcance. A maternidade aos 26. Crise e superação. A mudança pra Brasília aos 27. Vivi cinquenta anos em 5.
Muitos e verdadeiros amigos. Lembro agora de vários. Pra falar a verdade, os grandes amigos da vida.
E então comecei a entender aquilo pelo que eu vivia. Por amor e por gratidão.
A maternidade e o casamento viraram minhas grandes missões. Os caminhos pra manifestar todo o meu amor. E pra que Deus se manifestasse em mim. Nos próximos cinco anos, aprendi com a vida sobre amor incondicional e incansável. E sobre perdão. Incondicional e incansável. E sobre gratidão.
Aos 32 anos fiquei viúva. E aí testemunhei toda a força que o amor e a fé podem manifestar na nossa vida. Com a minha grande companheira, minha filha, resolvi voltar pra Fortaleza. Achei que seria difícil demais sozinha com ela em Brasília. E fomos. Família e amigos foram minhas paredes. Mas Deus foi meu pilar.
Um ano depois, fortalecida, estava de volta a Brasília. Alguma coisa me chamou de volta. Minha filha topou. E viemos. Só nós duas. Arrumamos nova casinha, estruturamos nossas vidas. E viemos. Por nem um dia eu ou ela questionamos se tínhamos feito mesmo a coisa certa. Estávamos de volta a nossa casa. Era aqui o nosso lugar. E, embora eu achasse que já sabia tudo o que estava por vir, a vida reservava suas surpresas.
12 anos e dois meses depois daquela noite na boate, o amor se reapresenta na minha vida. Sem cerimônia. Chega, senta, beija, se acomoda e se casa comigo. O sonho de uma família grande se realiza por outros caminhos. Ele também viveu suas historias, e tem quatro filhos. Aos 35 anos, encaro a nova fase. Mais uma vez, resgatada pelo AMOR.
E aí se seguiram os últimos cinco anos. Muitos filhos, tantos desafios. Minha filha tem o meu tamanho e já sabe que eu não sou perfeita, e me ama mesmo assim. Meu novo amor é diferente, renovador, incomparável. Vida nova. Casinha nova. Mais um cachorro. Outros tantos e maravilhosos amigos que chegaram pra ficar. Muito trabalho. E uma maturidade deliciosa que ensina a aproveitar e viver e agradecer e respirar profundamente cada dia, reconhecendo que é único!
Aos 40, me sinto como se tivesse vivido a totalidade dos 40. Não passou rápido. Não voou. Aconteceu. E segue acontecendo.
Com humildade, aceito que não mando. Eu obedeço. E sigo.
E AMO. E AGRADEÇO.

Diário de viagem

5o dia

Si si, café avec hot milk, si vous plait.😳 Oi?! É isso, gente. Português, espanhol, francês… Passados uns dias e no desespero por se fazer entender a pessoa vira multiglota! Rsrsrs. Assim.nos despedimos do café da manhã dos últimos dias. Dias em que não comi queijo por falta de condição de inalar o cheiro idiossincrático dos queijos franceses no café da manhã. 🤢

No 5o dia de viagem, nos despedimos dos nossos amigos que nos fizeram companhia até aqui. Agora seríamos nós. Inclusive no metrô. Apanhamos mas nos viramos! Primeira parada, Louvre. Eu não disse que voltaríamos?

E aqui vai a primeira dica legal do dia. Andamos muito de metrô em todos esse dias. Mas a maior parte das pessoas vai ao Louvre por fora (naquela praça da pirâmide, onde se costuma pegar filas pra entrar). Pesquisei uma dica legal, testamos e agora passo adiante. Pelo metrô é massa! Pode-se acessar por baixo, direto na pirâmide (com a ponta invertida pra baixo).

Pra isso, vá até a estação Palais Royal – Musée du Louvre (não na estação Louvre/Rivoli. Uma vez na Palais Royal, siga a pé para a Linha 1 rumo a La Defense (a estação também leva a linha 7, mas o acesso direto ao Louvre está na linha 1. Todo o caminho nos leva a um roteiro material até achar a pirâmide.

Ali, podemos comprar os ingressos (15 euros) e fica a segunda dica: pague mais 5 euros pelo áudio guide. Vale muito a pena. Nada como gostar intuitivamente de uma ala, ou uma obra específica, e poder ouvir detalhes que enchem de valor e significado aquela peça ou contexto.

Nem todas as obras tem explicação. E achei o equipamento do Castello de Versailles mais elucidativo. Mas, depois de andar por seis horas naquele lugar e ter ido embora gentilmente convidada pelos equipamentos de áudio e monitores que mostram a saída no fechamento do Louvre, compreendi que deve ser muito complicado colocar num áudio guide explicações sobre todas as milhares de obras.

De verdade, um dia não é suficiente. No nosso caso, que nos deixamos levar pelas alas de esculturas e antiguidades egipsias e gregas, especialmente… Nunca tinha fim.

Como falei sobre Versailles, acredito que seja muito pessoal a existência por museus, castelos, memoriaos e coisas assim, depende do que toca casas um. Sei de pessoas que resolveram suas questões com o Louvre em 2h30 de visitação objetiva. Confesso que achei que com meu marido fosse ser assim. Que nada. Foi surpreendente. Amamos a visita!

Como curiosidade, destacamos o excelente wifi gratuito no Louvre que, no entanto, está disponível em lugares específicos. Também os banheiros que ficam nos corredores entre as galerias (prefira os menos centrais, estão sempre mais limpos). E uma coisa que de uma próxima vamos fazer: ir marcando no guia impresso que recebemos na entrada as alas que foram visitadas. O lugar é imenso e no final nos demos conta que tínhamos deixado de visitar coisas bem legais. Não vi Van Gogh, por exemplo. Nem as esculturas douradas.

Ah, e a lojinha, embora ótima, poderia ser melhor. Senti falta de um imã de geladeira em 3D da pirâmide. E de mais variedade de réplicas.

Cansados, cientes de que se tratava de despedida. Muita indelicadeza não falar com os grandes amigos antes de partir. Saudades, Eiffel!! Tira mais uma selfie com a gente aqui!

Mais uma vez o cachorro-quente. Mais uma vez mil fotos, declarações de amor!!

Antes de visitar outra grande paixão, nos despedimos com um pouco de ranço do metrô. Houve um momento de insegurança quando dos rapazes de aproximavam de um jeito estranho. Pelo sim, pelo não, demos um cavalo de pau (versão pedestres, claro) numa curva fechada na escada do metrô. Os caras passaram reto e nós ficamos. Somos brasileiros, filhotes. Um olho no grato e outro no rato. Isso não se perde, mesmo quando recém naturalizados franceses (minha convicção).

E a segunda despedida foi do scargot. Tipo Dom Casmurro, resolvemos juntas as duas pontas da mesma temporada: finalizamos no mesmo restaurante do primeiro dia. Bar San Severin. Comemos e bebemos como teu e rainha.

Agora sim! Au revoir, Paris!!

Diário de viagem

4o dia

Entre armamentos e Champs Elysées, a vida segue em Paris

Escrevo sobre o quarto dia no começo do sexto dia. Isso se explica. Anteontem (4o dia) houve menos a contar e mais do que é muito íntimo: passeios pela Champs Elysées, fotos e fotos e fotos por aqueles cantos, compritchas no melhor estilo brasileitos-classe média-muitas contas pra pagar. Sim, não as esqueci. Risos. E lágrimas. Mais risos do que lágrimas. 💃

Mas vale o registro de algumas curiosidades.

Primeiro. Não tinha mencionado ainda. Há duas Paris(es) compartilhando o mesmo espaço, porém em dimensões cósmicas distintas.

Uma é a dos noticiários, dos policiais e dos manifestantes. Paris está sitiada. Centenas de policiais armados até os dentes povoam a cidade sem qualquer cerimônia.

Dezenas de estações de metrô fechadas por conta de manifestações aos sábados. Elas não estavam acontecendo no metrô, dessa vez. Mas, pelo sim pelo não, resolveram interditar. Eu entendo. E apoio. Pelas vidraças quebradas que vi das vitrines da Champs Elysées, de fato não gostaria de estar no caminho dessas pedras.

Mas as pessoas seguem a vida, de trem inclusive. Aí você acha que vai parar em Antony (uma estação). Bobinho… Interditou! Sem problema, vou até a próxima e ando um pouquinho. Inocente… Interditaram as próximas 5 estações!!! E foi desse jeito que perdemos a manhã quase toda fazendo combinações de linhas pra chegarmos mais ou menos onde queríamos.

Enquanto isso, a outra face da mesma realidade de Paris finge que nem vê. E finge bem! Eu mesma fiz comprinhas, dispus de todo glamour em poses cinematográficas com o Arco do Triunfo, em todas e placas e catinhos que pude. Mas de vez em quando os robocopes contemporâneos me puxavam à realidade.

Aparentemente ao resto do mundo não incomodava o bloqueio do acesso à parte de cima do Arco do Triunfo, já lotado de policiais armados e com dedos a postos nos gatilhos. Sabe aquelas frentes de batalha dos filmes de guerra, em que um grupo fica a dezenas de metros do outro, com cavalarias, arcos, flechas e escudos e de repente um lado grita “atacar” e os guerreiros vão com tudo uns pra cima dos outros? Pois eh! Os policiais franceses são tipo a galera que está do lado do Mel Gibson lá no Coração Valente. Pra nossa felicidade eles ganharam a partida por WO. O inimigo, naquele cenário, não compareceu. 🙏🏻.

E aí o dia seguiu. Enquanto os homens se encantavam com Ferraris, Lamborghinis e congêneres; nós meninas passeamos sem ambições pelas calçadas da Cartier, Louis Vuitton, Tiffany.. MacDonald’s, Sephora, H&M… Sim, é possível ser classe média na Champs Elysées!!! E fui! Foi bem legal. Até roupas a 15 euros eu comprei!!! Porque não, minha gente?! Com sacolas em punho em plena… Comigo!! Champs Elysées! Oui!

A noite terminou num pub massa perto do hotel, o Bar Dakis. Rock anos 80, disseram os rapazes. Música muito legal! Provaram todas as cervejas da casa. Fiquei na Marguerita e água com gás! Melhor né? Alguém tem que enxergar o chão na volta!! Rsrs.

Diário de viagem

3o dia

Torre Eiffel. Mágica!

Boa parte de nós em algum momento incorpora o ícone da Torre Eiffel ao imaginário. É meio inevitável. Como a Estátua da Liberdade ou as pirâmides do Egito. Ela remete a algo fantástico, glamouroso, universal, cobiçado. Mágico.

Então, quando cheguei a Paris, assim como deve acontecer a 100% das pessoas que vem aqui, eu tinha uma certeza: conheceria a Torre Eiffel.

Não foi no primeiro dia. Mais foi no segundo. Sem chance de não ser! Depois de 9 horas de bateção de perna a gente quer hotel? Nunca!!!! A gente quer Torre Eiffel! Lógico!!

Fomos de Versailles até lá, de trem e depois, metrô. O primeiro olhar foi meio frio. Ela por trás de grades e esquema de segurança, eu achando tudo bastante diferente do que via na TV. Tá estranho! Raptaram a Torre Eiffel?! Socorro! Pensei. Mas não. É que ela não é qualquer uma. Ela é única. E se fez de difícil. Tudo bem. Ela pode!

Arrodeamos. Fotografamos. Pegamos a fila. Desistimos da fila. Resolvemos procurar um lugar pra sentar e olhar pra ela com calma. Sem concorrências. Escolhemos o Bateaux Parisiens. Deve existir lugar mais perfeito pra admirá-la sem pressa. Eu só não sei onde!

A bordo desse charmoso barco-bar atracado no Rio Sena fizemos todas as fotos, tomamos uns vinhos, batemos um papo. Tomamos mais vinho. Tiramos mais e incansáveis fotos. E ela sorri em todas. O melhor ângulo sempre. Quando parecia que estava perfeito, ela renova o conceito de perfeição e acende suas luzes!!! Oh, céus!!

L’amour. Liberdade. Igualdade. Fraternidade (Não resisti!!!) Depois de uma tarde no Castelo de Versailles. um templo da realeza apartado da capital; o cair do dia em outro templo – esse democrático, simpático, aglutinador, não menos imponente. E feliz!!!!!!! A cidade se abraça naquele pedaço de entorno! Viva o show da Torre Eiffel!!!! Viva todas as nações que se cumprimentam sorrindo! Nenhum euro é necessário, nem áudio guides, nem explicações. É sensorial.

Alguém resolve tocar. E cantar. Muitos resolvem cantar junto. O vendedor sorri o melhor sorriso!!! (Vou levá-lo comigo como um imã no coração). Fotos. Na câmera e na memória. Mágica.

Sinto que nunca vou esquecer esta noite. Uma noite em que me senti livre, igual e rodeada de irmãos ansiosos pela plenitude daqueles instantes lindos, iluminada pela diva democrática de Paris!!

Torre Eiffel. Vou precisar renovar essa energia. Eu sempre vou precisar voltar!!